“O que vejo e não esqueço”

“O que vejo e não esqueço”

O post de hoje é ligeiramente diferente, mas pretendo que não seja o único! Adoro ler e quero partilhar convosco alguns livros que me vão tocando a alma e/ou o coração! 🙂
Hoje trago-vos o livro da Catarina Furtado ” O que vejo e não esqueço”.

Não vou fazer uma review extensiva dele, porque não poderia… Quero apenas despertar-vos a curiosidade e quem sabe este seja um item da vossa wishlist de natal! 🙂

Não vou dizer que li rápido, não consegui!

Não é propriamente um romance que nós lemos de forma fácil e leve…

Custou-me muito ler! Parei imensas vezes para respirar, para pensar e relembrar! Infelizmente também tenho a minha cota parte de coisas que vejo e não esqueço! No meu caso acabo por não contar! Porque dói tanto… só de pensar dá vontade de chorar! Vi muita gente pobre, há imagens que nunca, nunca me vão sair da cabeça e do coração. Vou contar, abrindo uma exceção, porque nós pretendemos que este seja um blog leve, que vos faça rir e sorrir! A paz e o amor são as mensagens que queremos transmitir… Mas, visto que já estou a chorar… Mais vale contar!

Como sabem, eu era hospedeira de bordo, e ia a vários países com problemas financeiros. Vi muita coisa que me custou a engolir, muita maldade ( vi um homem (chinês) a ser espancado (sim, completamente espancado) pela polícia e ninguém fez nada! Não me perguntem, se ele era um criminoso, ou se era um pai a roubar pão para os filhos, eu não sei a história, mas aquela imagem ficou comigo!)

Vi pobreza, vi homens e mulheres a procurar no lixo por comida. Sim, eu sei que esta é uma realidade que já muita gente conhece. Mas não devia ser! Não eram os meus olhos que não queriam ver! Só porque não vemos não quer dizer que não exista! Mas a minha alma não queria ver! Não queria que existisse!

Mas a imagem que mais me custou de todas… não perguntem porquê, foi na Tailândia, vi um senhor a arrastar-se, paraplégico e como não tinha cadeira de rodas, arrastava-se pela rua… Doeu tanto! Talvez pela mistura da doença com a pobreza, ainda custe mais! Por ir a trabalho, nem pude parar e ajudar. Mas o meu coração ficou com aquele senhor. Se eu podia ter ajudado, se o tempo o permitisse? Talvez não, talvez sim! Mas tentaria. No entanto, apenas fui, mais uma vez trabalhar, sorrir para todos os entraram naquele avião naquele dia, mas o coração ficara em terra! 🙁

Bem, isto era para ser uma review… e eu já escrevi demais para não variar!

“O que vejo e não esqueço” demorou-me muito a ler, porque paragens como esta para relembrar e não esquecer as caras que conheci (e algumas que ajudei), foram muitas! Parei de ler várias vezes, afastei o livro de mim, mas não consegui afastar o sentimento e muito menos o choro!

Adorei o livro! A Catarina pôs muito de si no livro, e por isso só temos a agradecer-lhe. Mas mais do que agradecer-lhe pelo livro… devemos fazer solidariedade! É a melhor forma para agradecermos tudo o que ela tem feito ao longo da vida dela, e porque amor com amor se paga!

Sim, eu sei que chegamos ao fim do post e eu acabei por não “fazer um resumo” do livro ou pelo menos apontar um ou outro excerto! Mas acreditem, vale a pena ler! E nada do que eu dissesse aqui seria suficiente. Aquelas vidas, aquelas histórias  vêm diretamente do coração da Catarina, passam pelas folhas e ficam na nossa alma.

“O que vejo e não esqueço” um livro a ver, a ler e a não esquecer!

Um beijinho,

Tiffany

 

 

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