O Rouxinol de Kristin Hannah

O Rouxinol de Kristin Hannah

O Rouxinol não é apenas um pássaro bonito que canta e encanta! Ao longo dos séculos, sempre teve um papel importante nos contos e em especial na poesia. É causador de muitos romances e musa de muitos poetas. O pai das duas irmãs (Isabelle e Vianne, personagens principais do livro), Julien Rossignol era um poeta e um romântico (no seu tempo!); talvez seja esse o motivo do título do livro.

Engraçado, hoje estou a começar ao contrário não estou?

Este livro para além de muito bonito é muito emotivo e deixou-me pensativa e taciturna, por isso quis começar ao contrário… Direta ao titulo!

Romance?

O Rouxinol intitula-se como um romance, mas é muito mais que isso! É uma forma diferente de olhar para a 2ªguerra mundial; vista pelos olhos de 2 mulheres corajosas e que defendem quem amam. Poderia parecer antagónico falar de guerra e no entanto apresentar o livro como um romance… mas não é o amor que faz mover o mundo? Não é o que fazemos em prol dos que amamos; ou em prol do amor que sentimos, que nos faz agir? Se há algo que nunca nos podem tirar é o amor! Isabelle, na sua intempestiva e inconsequente rebeldia sabia-o, apenas não o reconhecia!

Mas lá estou eu a falar por enigmas!

O livro mostra-nos todas as formas de amor, de jovens apaixonados, de um casal mais maduro e sofrido, de pais e filhos, de irmãs, de amigas e especialmente o amor de mãe.

Personagens

Temos 2 personagens principais, 2 irmãs e tudo gira em volta delas e dos que elas amam.

Isabelle

Isabelle é uma jovem de 18 anos que sofreu a perda da mãe quando era muito pequena; e consequente afastamento do pai e da irmã. Por terem todos personalidades tão diferentes e forma de reagir á dor, Isabelle pensa-se sozinha no mundo, ainda que tudo o que faça seja um pedido de atenção e uma chamada desesperada por amor. Infelizmente pensa não ser correspondida; e torna-se um pequena rebelde que se sente sempre deslocada.

Até que encontra um propósito de vida em plena guerra. Por ser tão ousada e apaixonada, facilmente se junta á Resistência para lutar pela independência de França. A sua rebeldia demonstra ser o catalisador perfeito para as aventuras e desventuras em que se vai envolver. Juntamente com o seu enorme coração e uma vontade irracional de ajudar e lutar, Isabelle vai marcar a diferença numa guerra que parecia vencida já á partida!

Isabelle dá-nos a conhecer uma luta mais “ativa”  das mulheres

Vianne

Enquanto que Vianne, nos mostra o lado de quem fica em casa e luta com as armas que tem para proteger os filhos. Por vezes não fazer nada é o melhor ataque; e o silêncio é ouro!

Vianne é a irmã mais velha que após a morte da mãe sente não ter sido capaz de cuidar da irmã mais nova; e por isso se castiga e martiriza. No inicio da guerra Vianne está de bem com a vida, numa casa confortável, com o marido e a filha; mas tudo o que conhece é colocado em risco, quando se inicia o que foi a batalha da vida dela.

Em poucas páginas, vê-se sozinha, como nunca esteve, sem o marido; que parte para a frente de batalha. E como se o sofrimento, a solidão, o medo e a fome não fossem suficientes. Vê-se forçada a partilhar o seu lar com um capitão alemão; o que a deixa numa posição muito frágil.

A vida de Vianne permite-nos ver ou tentar compreender a dor e o sofrimento que todas as mulheres passaram, visto que a maior parte delas ficou em casa a tentar levar a vida para a frente, da melhor forma possível! Vianne é o retrato das heroínas domesticas; que á sua maneira aguentaram os pilares dos lares, para que nada faltasse ás suas famílias; nem sequer um lar para os maridos voltarem!

O Enredo

Não há muito a contar acerca do enredo que não revele totalmente o livro. Já sabem que se passa em plena 2ªguerra mundial e que é a visão e vida de 2 mulheres que lutam para sobreviver.

O inicio do livro faz-nos perceber que a história é contada por alguém que sobreviveu, não me vou prenunciar acerca disso, porque não foram os meus olhos que choraram no fim do livro ao perceber a verdade; foi o meu coração! Talvez eu seja ingénua, talvez espere sempre por finais felizes; talvez queira sempre acreditar; ou talvez a escritora seja tão magnifica e envolvente, que nos faz acreditar no impossível e depois arrebata-nos e lança-nos ao chão…

O que vos digo é que apesar de ter lido muitos capítulos na praia, e ter feito das tripas coração para não chorar; felizmente li o fim no sossego do meu sofá! Só eu e os meus cães! E chorei muito depois do fim das 5oo páginas….

Um pouco de mim

Quando terminei o livro e percebi que o queria partilhar convosco, percebi também que tinha de dar um pouco mais de mim…

Há uns anos fui para Munique sozinha (em férias) e sabia que para além do turismo habitual e que me deixaria contente, queria ir a um campo de concentração. Não vou dizer que foi algo que fiz por curiosidade ou com muita vontade.

Deixei para o ultimo dia a visita a Dachau. Escolhi um campo “mais pequeno, menos conhecido e portanto menos movimentado”, porque me conheço e a dor em pequenas doses faz-me perceber que somos reais, que há amor no mundo, mas também muita maldade; mas em grandes doses destroça-me. Não que se possa falar em pequenas doses no que toca a qualquer maldade, especialmente quando entramos num campo de concentração…. mas pelo menos um sitio menos movimentado, com menos turistas!

Marquei a visita com um guia e num grupo pequeno; fui sozinha na minha mente, mas apesar de tudo precisava de saber que não estava totalmente só. Enfim coisas da minha cabeça! Estranhos com quem não quis e não consegui falar, mas que me fizeram sentir parte de um grupo, como se não estivesse só.

Dachau

O rouxinol Kristin Hannah Dachau 2ªguerra mundial

Dachau deve ser tão pesado como todos os outros campos de concentração.

Na verdade tudo o que vemos, á vista desarmada são barracões e um espaço amplo de terra batida. E quando entramos nos diferentes barracões vemos fotografias, roupas, beliches… E até entrei numa camara de gás… se não fosse a minha imaginação (e as fotografias e o guia) tudo seria mais leve! Mas… não podemos esquecer a história, a maldade! Não para procurar justiça ou vingança, mas para que não se repita de nenhuma forma. (Ainda que se repita todos os dias, mas isso é outra conversa para qual também não estou pronta)

Dachau fica conosco. Não vou dizer que tive pesadelos, ou que o cheiro ainda me persegue (até porque na altura nem tinha olfacto, mas não acredito quando dizem que ainda cheira a corpos em putrefação); mas apesar de só lá ter passado uma tarde lembro cada pedacinho do que vi. E no entanto não fui capaz de tirar uma única fotografia.

Desculpem este desabafo, na verdade optei por não falar com ninguém sobre Dachau, mas hoje senti que devia fazê-lo. Mas voltando ao livro, que por breves instantes passa também por um campo de concentração; leiam o livro, se puderem; é forte e mexe connosco, mas não deixa de ser um romance!

 

Tiff

 

 

 

 

 

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